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O presente ano lectivo reflectiu, mais uma vez, com acontecimentos múltiplos, de ordem científica e cultural, o característico percurso do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Reflexos da sua já longa história e memória; reflexos que a Memória procura capturar, é certo, mas também e sobretudo abertura a novos desafios.
Desafios internos, relacionados com o ordenamento do Ensino Superior, e o papel central da investigação científica (incompatível com corpos docentes flutuantes e precários); desafios externos, que a vida social e o desenvolvimento humano colocam a todas as instituições, e em particular aquelas que no terreno da Psicologia se movem.
Quanto aos desafios internos, o ISPA tem dado respostas significativas e sustentáveis, como se vê pela dinâmica das suas Unidades de Investigação (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), pela proliferação de projectos de investigação e intervenção, e pela internacionalização constante das suas iniciativas científicas. Todavia, e ainda no que respeita à sua vida interna, o ISPA tem dado igualmente respostas significativas aqueles desafios, nomeadamente no campo da Cultura e da Arte.
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Não é só, de facto, de uma formação estreita que aqui se trata, mas também de um mais geral processo educativo, que pode dizer-se, se organiza em redor de uma mais vasta Educação para a Cidadania.
No que respeita aos desafios externos, sabemos que eles são tão relevantes quanto os primeiros. Uma instituição universitária encerrada sobre si própria, retirando ao conhecimento científico a sua vital dimensão transformadora e criativa, insensível às problemáticas sociais envolventes - uma instituição assim concebida não pode ser vista como instituição dos nossos tempos.
É porque o ISPA sabe isso, desde longa data, que entende ser central, para a sua dinâmica própria, a abertura às questões que os indivíduos, os grupos sociais, e a Sociedade no seu conjunto a par e passo vão enfrentando. Daí resulta, de resto, a importância que se dá, ao lado da Investigação fundamental, à Investigação Aplicada e à Intervenção.
Tanto no nosso país, aliás, como em países amigos, como é o caso, em Moçambique, do Centro Cultural de Matalana, dirigido por esse grande "ispiano" que é o artista Malangatana, ou, no Brasil, do Estado de Amapá, com cujo modelo de desenvolvimento sustentável queremos colaborar, para com ele, também aprender.
Cerca de meio século de vida académica, perspectivada para um Futuro que solicita novas respostas, tal é a situação, para todos motivadora, em que o ISPA se encontra
Motivadora para todos os que aqui trabalham, estudam, investigam e ensinam, mas também para todos aqueles que, entre Colóquios e Tertúlias, Exposições e Conferências, no ISPA também circulam.
Instituição Universitária, o ISPA continua a querer aquilo que sempre tem querido ser: uma instituição aberta, dinâmica, e um espaço acolhedor de iniciativas de todos, não só de docentes mas também de estudantes, assim como de entidades externas da mais diversa natureza.
A multiplicidade das iniciativas científicas e culturais com que se comemoraram mais de quatro décadas de existência é disso mesmo exemplo. Mas também é relevante quanto a esse espírito de abertura e cooperação, o facto de a estas comemorações se associarem universitários(as) dos mais diversos países, a começar pelo nosso próprio, e colaboradores, não universitários, directamente ligados ao tecido social e às suas dinâmicas.
Não é só, por consequência, o Mestrado Integrado em Psicologia, três licenciaturas (Biologia, Desenvolvimento Comunitário; Reabilitação e Inserção Social), cinco Mestrados – 2º ciclo (Psicologia Comunitária, Psicologia da Saúde, Psicocriminologia, Psicobiologia e Psicologia da Gravidez e da Parentalidade), um programa doutoral próprio, em Psicologia Aplicada, com 13 especialidades, bem como um programa de doutoramento, em associação com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em Ciências de Educação, que o ISPA oferece. É também um espaço de abertura e de criatividade, de dinamismo e de sensibilidade às relações interpessoais e ao desenvolvimento humano.
Uma última nota merece ser tida em conta: a chamada Acta de Bologna, resultante de decisões em boa hora tomadas por todos os governos europeus, determinou uma nova configuração do Ensino Superior em todo o espaço europeu. Esta nova configuração envolve tanto as estruturas curriculares e processos de avaliação, como a relação professor-aluno e a relação com o meio social envolvente.
A uniformidade estrutural, a nível da União Europeia, torna possível, facilita e apela para uma significativa mobilidade de todos os estudantes em todo o espaço universitário europeu e no interior de cada país.
Nestas novas condições, sublinho: a potencialização do Ensino Superior na UE, a fertilização cruzada de diversas experiências inovadoras que ultrapassam fronteiras nacionais, e o contacto com estas mesmas experiências por parte dos estudantes, são aspectos inovadores nos processos de Ensino/Aprendizagem que importa não esquecer.
Mais uma vez, nestas dimensões também, o ISPA está na primeira linha, ao introduzir, desde o ano 2006/2007, os ajustamentos que, a nível de toda a Europa, foram considerados necessários – tanto para a elevação da qualidade dos processos de Ensino/Aprendizagem, como para um aumento dos índices de empregabilidade.
Os esforços do ISPA para a realização de tais objectivos foram importantes. A tarefa é séria e não apenas formalidade sem significação. Estes esforços foram no entanto minorados dado o facto de o regime de funcionamento do ISPA, já antes da Acta de Bologna, o aproximar dos imperativos resultantes desta mesma Acta. Assim é no plano da dinâmica Ensino/Aprendizagem, assim é no plano da cooperação interuniversitária internacional.
Novos horizontes; novos desafios. Deles temos consciência: consciência que é uma das garantias de sucesso. Novos horizontes; novos desafios – que, hoje, como no passado, iremos vencer.
Frederico Pereira
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