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Luís Formas (n. 1971) é estudante do ISPA.
Chegou à pintura num processo de busca e de objectivação depurada.
Discreto, não gosta de exibir o seu trabalho.
Realiza agora a sua primeira exposição. |
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Será uma pintura metafísica, pela evocação que sugerem os objectos, colocados num espaço abstracto e intemporal?
A pintura é habitada pela realidade por detrás destes objectos, que procura o que persiste de humano, à espera de serem metaforicamente valorizados. Este pintar vai ao arrepio da nossa Sociedade e, por isso, se transforma num pintar de objectos nus que transportam a revolta do pintor. O objecto fala por si... o espectador empresta-lhe uma humanidade, reflectindo através dela e depois dele para si mesmo. | É pela cor que o quadro se torna expansivo e se liberta das ancoragens rígidas da geometria, qual força exploradora do imaginário de cada um de nós que o contempla. O espaço e o objecto unificam-se onde reina o silêncio da pintura, para dar voz a um significado simbólico e metafísico que está adormecido em nós. A oposição entre a superfície plana e a arquitectura dos objectos por sua vez, o espaço de sombra e de luz criados por estes, reflecte uma luta em toda a existência, a verdade contra a mentira. Será um convite para pensarmos a realidade em que estamos mergulhados como verdade… ou como uma outra coisa que a vida não é tão linear e geométrica como a geometria.
Os espaços tal como a natureza morta, são situados sempre dentro de uma linguagem pictural, num espaço mental que procura transmitir a necessidade de transcender o imediato ou do “apego aos objectos” através da representação desses mesmos objectos… irónico talvez? Este pintar sóbrio, despojado apela à humanidade que o “urbanismo” aos poucos destrói, que faz calar em nós a vontade de mudar, de criar de “por o corpo a pensar”, de amar_ é a arte como meta linguagem.
Cláudia Antunes |